sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Rotas e Destinos, Lugares com História - Caldas da Rainha




Quem visita as Caldas da Rainha não se apercebe necessariamente da sua singularidade. Constata tratar-se de uma cidade simpática e acolhedora, onde se come bem e vive, defendem muitos habitantes, ainda melhor. Aprecia o agradável parque dominado pelo lago, visita o incontornável mercado de frutas e legumes na Praça da República, espreita com curiosidade as lojas que comercializam o artesanato local, tornado famoso por Rafael Bordalo Pinheiro, autor do co-nhecido Zé Povinho.As Caldas, no entanto, são muito mais do que isso: acolhem nada mais nada menos que o primeiro - e, durante muito tempo, o único - hospital termal do mundo, de cujo património fazem também parte as igrejas de Nossa Senhora do Pópulo e de São Sebastião, a Mata Rainha D. Leonor, o Parque D. Carlos I e o Museu do Hospital e das Caldas. Lugares, todos eles, interessantes e cuja visita constitui um verdadeiro mergulho na História.

Esta viagem no tempo remonta a 1485, ano em que D. Leonor, mulher dedicada às artes e à assistência aos necessitados, mandou edificar o hospital. Tal iniciativa terá sido tomada depois de, ao passar na zona, a rainha ter observado gente humilde a banhar-se em água enlameada para acalmar dores e sarar feridas. Como padecia de uma úlcera no peito, resolveu seguir o exemplo e ficou rapidamente curada.

Chamou-lhe Hospital de Nossa Senhora do Pópulo, pois era ao povo que se destinava. Por outro lado, tal designação invoca uma igreja romana muito apreciada pelo cardeal de Alpedrinha, figura fundamental nas negociações com o Papa para que este autorizasse a construção do edifício.

Cerca de três anos depois a unidade hospitalar recebia os primeiros doentes, ministrando-lhes os tratamentos comuns na época e usando como meio terapêutico as águas minero-medicinais que estiveram na sua origem, assim como da povoação que foi crescendo à sua volta.

Rota da Cerâmica nas Caldas da Rainha

História
A Cerâmica tem uma História nas Caldas da Rainha. Através dessa História se evidencia o quanto essa actividade determina a feição única que, porventura, a cidade possui. Nas Caldas se cruzaram experiências fundamentais a nível cerâmico que em muito ultrapassam a dimensão local, regional, e até mesmo nacional, atingindo o seu pleno significado além-fronteiras.
Quando Bordalo Pinheiro escolheu o meio cerâmico caldense para fundar a Fábrica de Faianças (1884) fê-lo por haver aqui uma sustentada produção de faiança decorativa de estilo palissy, com ceramistas qualificados e, mesmo, premiados internacionalmente como Francisco Gomes de Avelar, José Alves Cunha e José Francisco de Sousa. Todavia, o responsável pela introdução dessa técnica nas Caldas foi Manuel Cipriano Gomes, O Mafra, (1853) cujas peças se distinguiam pela variada e intensa paleta de cores, em que imperavam o verde esmeralda e o amarelo mel, pelo brilho dos vidrados e pelo realismo com que eram reproduzidos os motivos decorativos que se tornaram tradicionais – répteis, crustáceos, peixes, frutos, flores – em relevo ou justapostos tridimensionalmente sobre fundos naturalistas correspondentes.

Bordalo, que já era um artista consagrado ao nível do desenho e da caricatura, fez transitar essa sua aptidão para a faiança das Caldas, conferindo-lhe um sentido de composição estética até então inexistente, que aliou à notável fantasia e imaginação com que concebeu as suas peças, rapidamente identificáveis até pelas respectivas dimensões.

Apesar das dificuldades financeiras da fábrica, o seu projecto constituiu um enorme êxito de um ponto de vista artístico, fazendo das Caldas um dos mais significativos e qualificados pólos de produção palissy, numa época em que este era o tipo de faiança em voga por toda a Europa. Bordalo recebeu prémios internacionais, contribuiu para a projecção da imagem de Portugal além fronteiras, além de fixar uma certa forma de ser português de que foi o intérprete, e transportou as Caldas para o primeiro plano nacional, ao torná-la assunto das caricaturas e crónicas com que preenchia os jornais humorísticos da capital.

A mera presença de Rafael nas Caldas, dados o nome e a fama que o artista granjeara, era motivo de atracção de um público que fazia do magnífico cenário da Fábrica de Faianças lugar obrigatório de visita e de compras, nas frequentes deslocações que efectuava às Caldas, pelo menos desde que esta contava com o caminho-de-ferro (1887), tanto na qualidade de excursionista, como de utente das termas.

Bordalo Pinheiro faleceu em 1905 e em 1907 a Fábrica de Faianças foi a hasta pública. A nova fábrica que o seu filho Manuel Gustavo veio a fundar em 1908 (San Rafael), para a qual fez transitar, com recurso a litígio jurídico, os equipamentos, as madres, os moldes, as peças que haviam pertencido ao pai, garantiu, em conjunto com a Fábrica Belo, fundada em 1899, por Avelino Belo, um dos mais prestigiados discípulos de Rafael Bordalo, a continuidade da tradição da faiança das Caldas, apesar da crise que as primeiras décadas do século XX imprimiram à produção cerâmica. A última das referidas fábricas veio a cessar a sua produção na década de oitenta do século XX, enquanto a primeira ainda hoje labora sob a designação de Faianças Artísticas Bordalo Pinheiro, Lda.

Outro dos momentos áureos da cerâmica das Caldas foi protagonizado pela fábrica SECLA, fundada por Alberto Pinto Ribeiro em 1947, numa época de expansão económica, devido a pressões do sector comercial, com destaque para o mercado norte-americano, a cujas encomendas a produção das pequenas fábricas caldenses, de carácter familiar, não conseguia corresponder.

A SECLA foi uma fábrica inovadora que aliou de modo particularmente criativo tradição e modernidade, sem cedências quanto à qualidade estética da sua produção mais característica. As mais significativas alterações introduzidas por esta fábrica no panorama da cerâmica caldense, do qual logo se distinguia pela dimensão (maior), realizaram-se aos níveis técnico e de inovação quanto à concepção e desenho das peças e respectiva decoração.

Destacam-se a substituição dos tradicionais fornos a lenha por fornos eléctricos e, mais tarde, a gás; a produção de uma pasta feldspática para a louça de mesa; a adopção de uma paleta de cores marcadamente ousada que desafiava o gosto mais comum; a utilização de formas mais estilizadas, embora quase sempre com um cunho que de algum modo as vinculava à tradição caldense.

A par destas secções – louça de mesa e decorativa – laborava o estúdio de cerâmica artística de que foram responsáveis grandes mestres como Hansi Stael e Ferreira da Silva e por onde passaram artistas convidados como Júlio Pomar, António Quadros, Tomás de Melo, Jorge Vieira, José Aurélio e outros, que contribuíram decisivamente para o prestígio da fábrica.

Após o período analisado, e que corresponde sensivelmente aos anos 50/60, a SECLA passou por diversas fases e acabou por deixar de laborar em 2008.

Para além das referidas, muitas outras fábricas (havendo também que lhes adicionar as olarias) produziram faiança de elevada qualidade, contribuindo todas e cada uma, através do minucioso trabalho dos seus ceramistas, marcado pela exigência técnica e pelo sentido artístico, desde a preparação das pastas à modelação, pintura e demais tarefas inerentes ao processo produtivo, para o prestígio e o renome das faianças das Caldas da Rainha.

Negar este legado seria sinal de verdadeiro desperdício. Pelo contrário, a plena consciencialização do papel que à cerâmica coube nas Caldas e do valor que a mesma alcançou a nível nacional e internacional, é susceptível de contribuir decisivamente para a criação e o registo de uma marca identitária que singularize a cidade, também enquanto destino turístico.

- Isabel Xavier –
(PH – Grupo de Estudos)

Na Inauguração do ArtShow na Expoeste



Na Inauguração do ArtShow na Expoeste

A pintora Paula Mendes e a Revista Passo-a-Passo representam o cimento agregador no que diz respeito á realização de um certame cultural nunca antes visto nem organizado no concelho de Caldas da Rainha.
Sabendo das grandes dificuldades vividas no Pais e na região, decidiu a ADIO/EXPOESTE apoiar esta verdadeira maratona de workshops (mais de 60 aulas em 3 dias
Em paralelo decorre o Artshow com uma mostra invejável de grandes artistas plásticos, (cerca de sessenta).
Esta vertente do certame é uma parceria com o grupo Artekenosune encabeçado pelo comissário Luís Graça, que conseguiu reunir um extraordinário grupo de Artistas Plásticos, muitos dos quais estarão a trabalhar ao vivo.
Palestras sobre “artes”a decorrer em permanência no Grande Auditório representarão o debate que se pretende fazer do actual panorama cultural Português. 
Assim está a decorrer o evento de 16 a 18 de Setembro na Expoeste.

O Fado das Caldas

O Fado da Caldas é um marco histórico sonoro da história do Concelho das Caldas da Rainha. Escrito por Raúl Ferrão e Arnaldo Forte e interpretado por D. Vicente da Câmara foi cantado pela 1ª vez por  uma neta de Luís da Gama de seu nome Maria Luísa Castelo Branco, que segundo me é dado a conhecer se encontra a viver em Cascais e a quem presto desde já a minha homenagem.

O Fado das Caldas 


Calça justa bem 'sticada
Já manchada p'lo selim,
Polainas afiveladas.
Antigamente era assim;
Mantas de cor nas boleias (ai)
P´ras toiradas e pr'a ceias.


De milorde aguisalhada,
À cabeça da manada
Trote largo e para a frente,
Com os seus cavalos baios,
As pilecas eram raios
Fidalgos iam co'a gente.

E p'la ponte de Tornada
Por lá é que era o caminho
Bem conduzindo a manada
A passo, devagarinho,
E quem mandava o campino (ai)
Era o mestre Vitorino.


Praça cheia, toca o hino
É dos Gamas, gado matreiro
Victor Morais, o campino,
Anadia, o cavaleiro
Que sortes tão bem mandadas
Haviam nessas toiradas.

Nos tempos que não vivi
Findavam as brincadeiras
Nas barracas do Levi
Com dois tintos das Gaeiras
Entre cartazes, letreiros
Com toiros, cavaleiros

Pedras Rolantes: CENTENÁRIOS - 23 - A Feira de Agosto, em Caldas da Rainha (Agosto 1909)

Pedras Rolantes: CENTENÁRIOS - 23 - A Feira de Agosto, em Caldas da Rainha (Agosto 1909)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reforma: Proposta de lei eleitoral prevê corte de 35% nos vereadores

Proposta de lei eleitoral apresentadas pelo Ministro Miguel Relvas indica já um caminho bem claro de uma reforma administrativa.
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/psd-quer-cortar-618-vereadores


Projecto de Resolução sobre a Reforma Administrativa 
http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Governo/Ministerios/MAAP/Notas/Pages/20110908_MAAP_Com_Reforma_Autarquias.aspx

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Jovem Caldense ganha medalha de bronze nas V Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia na Costa Rica

Português medalhado com bronze nas Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia Por Redacção

O português Diogo Maia e Silva conquistou a medalha de bronze nas V Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia, na Costa Rica.

Este é o segundo ano consecutivo em que Portugal participa, e o primeiro em que consegue ser premiado.

Diogo Maia e Silva é aluno da secundária Raul Proença, nas Caldas da Rainha e está inserido num grupo de quatro jovens portugueses. São os restantes Beatriz Madureira, aluna do Colégio S. Miguel, em Fátima, Ana Beatriz Teixeira, do Agrupamento de Escolas de Castro Daire, e Rui Nunes, do Colégio Manuel Bernardes, em Lisboa.

Os quatro jovens foram escolhidos entre 4000 alunos de 160 escolas.

José de Matos, coordenador nacional das olimpíadas, acompanha os jovens no regresso a Portugal, onde chegarão na segunda-feira à tarde.

Os objectivos das Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia são promover o estudo das ciências biológicas e estimular o desenvolvimento dos jovens talentos nesta ciência, bem como como fomentar a cooperação e o intercâmbio de experiências.

Portugal será o anfitrião das VI Olimpíadas Iberoamericanas de Biologia. Cascais acolhe o evento na primeira semana de Setembro de 2012.
Consulte www.hugooliveira.net e siga hugopmoliveira.blogspot.com e o jornal de Notícias de Hugo Oliveira no paper.li.

domingo, 11 de setembro de 2011

Dr. José Gonçalves Sapinho, Um ADEUS, até Sempre !!!

Não posso deixar de referir aqui a grande perda para todos nós, que representa o desaparecimento do Amigo, do Companheiro e de um Grande Homem Dr. José Gonçalves Sapinho, as minhas primeira palavras vão para a família pela perda com um sentimento de profundo carinho e de condolências.
Assinalo aqui este momento difícil para Homenagear um Homem que deu tudo de si à causa pública e soube comandar os destinos de Alcobaça com destreza e com audácia. Perde a Benedita, perde São Martinho, perde Alcobaça, perde o distrito de Leiria, perde o PSD e perdemos todos nós um Amigo que em muitos momentos soube ponderar, equilibrar e transmitir aos mais novos a experiência e a capacidade de ultrapassar as dificuldades da vida, sempre com um sorriso marcante nos lábios.
Neste momento de dizer Adeus, e até Sempre, quero apenas dizer obrigado pelos conselhos e pela partilha de conhecimento que me proporcionou !!!

11 de Setembro

Neste dia que se assinalam os dez anos passados do 11 de Setembro, dia fatídico para milhares de pessoas e de famílias nos Estados de Unidos, e que mudou o Mundo para sempre, não posso deixar de aqui reflectir um pouco sobre o novo paradigma criado nesse dia, o sentimento de insegurança que nos assola diariamente e a incerteza de um futuro onde a religião ocupa um papel de conflito. Conflito este, aliado à "Guerrilha" económica que condiciona um Mundo cada vez mais descrente do rumo a seguir.
O 11 de Setembro de 2001 marcou irremediavelmente  a história, mas tal como todos os acontecimentos da historia do Mundo só teremos "certezas" das consequências deste ataque aos Estados Unidos daqui a mais dez anos quando se escrever nos anais da história o resultado dos já referidos conflito religioso e "Guerrilha" económica.