sábado, 29 de setembro de 2012

Erros Capitais ou incompreensão

O nosso Primeiro Ministro tem tido dificuldades na liderança muito pela tarefa difícil que é governar um País numa altura de crise económica tão acentuada mas também porque não há lugar a tolerância nem espaço para errar. Proponho me a elencar pequenos aspectos que sendo corrigidos terão por certo resultados diferentes. Assim vejamos as dificuldades: Na dificuldade em comunicar directamente, a mensagem teima em chegar mal aos cidadãos. Na dificuldade em explicar qual a consequência das decisões tomadas pelo governo anterior na economia do País, e que foram catastróficas. Na dificuldade em explicar o estado em que se encontrava o País quando o governo assumiu funções, deveria ser bem demonstrado o mau estado das contas públicas à data. Na dificuldade em explicar o estado em que estavam as PPP's quando chegou ao governo, quais as existentes, de quanto se trata e a que obras se referem e ainda qual seria o resultado de uma eventual negociação. E também quem é que é responsável pela decisão de cada uma das PPP's. Na dificuldade em explicar o porquê das recentes decisões do governo na aplicação das medidas de austeridade que são consequência das dificuldades anteriormente referidas, nomeadamente, as decisões mal tomadas pelo governo anterior e que levou à chegada da Troika. Na dificuldade em explicar publicamente as vantagens da privatização da RTP, da TAP entre outras e quais os custos actuais com estas empresas. Na dificuldade em explicar que a "culpa não pode morrer solteira" e que aqueles que desgovernaram o País no passado têm rosto. Por último falta ainda explicar porque não estão a ser julgados esses responsáveis. Ora, não tenho duvida que explicados estes pontos todos os Portugueses entenderão que o papel do Primeiro Ministro tem sido difícil mas determinado. E aprenderemos ainda que o exercício da politica se faz com uma atitude rectilínea, democrática, participada mas prioritariamente séria. Hugo Oliveira Vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Director do Gabinete de Estudos e Edições do Instituto Fontes Pereira de Melo

in diário de Leiria, 26 de Setembro de 2012

sábado, 15 de setembro de 2012

O que esperam hoje os cidadãos dos políticos portugueses?

Esta é a reflexão a que me proponho neste fim de verão e perto da reentré política. A duvida que me assola é: será que os cidadãos confiam nos seu políticos? Bom, em primeiro lugar espero e tenho a certeza que sim, no entanto, há que aferir os níveis de satisfação. Existem hoje formas de participação cívica na vida democrática, os orçamentos participativos nas autarquias são um exemplo claro dessa via. Esta opção apresenta-se nos dias de hoje como uma solução para a aproximação dos munícipes ao poder político, tendo por base a tomada de posições concertada com as expectativas quem de uma forma diferente olha para o desenvolvimento de um concelho e é capaz de priorizar opções diferentes e muitas vezes correctas. A democracia evoluiu assim para um estádio diferente em que todos podem participar, e cada um da forma que mais aprecia, desde que seja com a responsabilidade necessária que estas materias exigem. Aqui volto a questionar: será esta a expectativa de um cidadão? Ou haverá mais alguma via para de uma vez por todas aproximar os eleitos dos eleitores? Eu sei que de um político se espera que seja honesto, que saiba honrar a sua função mas acrescento que seja proactivo, já não há espaço para políticos reactivos que adormecem na esperança de que as soluções venham até eles. De um político se espera que saiba gerir os dinheiros públicos com parcimónia, que saiba aplicar correctamente a receita da colecta dos impostos que sobrecarrega os contribuintes, e esta é uma pedra basilar de um principio fundamental da gestão publica. Um político para o futuro manterá certamente uma grande proximidade ao seu eleitor, mas terá de ter uma atitude diferente que imprima uma dinâmica forte e uma busca constante de soluções para garantir a qualidade de vida de quem a procura de uma forma incessante. Terá que ser um portador de esperança e de confiança para que o nosso sistema democrático se mantenha firme e capaz de se autoregenerar. A expectativa de um eleitor será então idêntica à do eleito, ambos em busca de soluções, em parceria e com a capacidade de olhar para o futuro de uma forma inteligente e participativa. Assim tenho quase a certeza que a expectativa dos cidadãos em relação aos políticos estará mais perto da realidade e da concretizacao dos seus anseios. Hugo Oliveira Vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Director do Gabinete de Estudos e Edições do Instituto Fontes Pereira de Melo

in diário de Leiria, 12 de Setembro de 2012