quarta-feira, 22 de agosto de 2012
As expectativas de um Munícipe num modelo autárquico com o fim anunciado
Ao longo das décadas as expectativas e necessidades dos munícipes em cada concelho sofreram transformações próprias da evolução da sociedade em que vivemos, fruto por um lado da concretização dessas mesmas necessidades ou por outro por falta delas. No entanto, vivemos tempos conturbados e de verdadeira mudança de mentalidades e urge uma súbita mudança de atitude perante um modelo autárquico com o fim anunciado.
Conhecidas que são as dificuldades na grande maioria dos municípios em encarar o futuro com a engenharia financeira capaz de fazer frente às dificuldades bem patentes, coloca-nos a seguinte questão: Estará esgotado o modelo autárquico vigente? Bom, eu diria que da forma que o conhecemos sim. Não restam muitas dúvidas que as fontes de receita que até ao momento existiram terão que ser substituídas por novas formas de captação dessas mesmas receitas de um modo inovador, criativo mas com a consciência de que não devem representar um aumento na carga fiscal, directa ou indirecta, dos munícipes.
Porém, aqui reside o cerne da questão, até onde está disponível ( e se puder) um munícipe a “contribuir” equitativamente por um lado para o bem estar social, mas por outro para ver concretizadas as suas expectativas e necessidades com o fim ultimo de obter qualidade de vida no seu concelho? O problema reside no modelo agora em fim de ciclo que enfatizou por vezes em demasia áreas prioritárias que hoje se verificam como sendo secundarias, em detrimento das verdadeiras necessidades que assolam e preocupam no dia a dia os munícipes.
É tempo de parar, é tempo de parar para pensar e preconizar os novos tempos de maior concertação entre o pensamento e a atitude.
É tempo de clarificar a função do poder autárquico, é tempo de identificar o papel dos protagonistas quer dos cidadãos quer dos políticos.
Em suma é tempo de reflexão mas essencialmente de atitude e de preseverança a trilhar o novo caminho do poder autárquico.
Hugo Oliveira
Vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha,
Director do Gabinete de Estudos e Edições do Instituto Fontes Pereira de Melo
sábado, 4 de agosto de 2012
Jovens até que idade?!
Os fossos geracionais estão desde sempre associados e por vezes na origem de confrontos de ideias, ambições, sonhos e visões. São vários os sectores onde nos deparamos com diferentes bitolas. É-se jovem agricultor até haver subsídios e terras por lavrar cujas principais colheitas são jipes e veículos de alta cilindrada; É-se jovem para adquirir capacidade jurídica aos 16 anos e aos 14 para alguns crimes é-se imputável; para efeitos de estruturas partidárias aos 30 deixa-se de se pertencer às suas juventudes. Podiam ser multiplicados os exemplos, mas o que me mais me choca são as mentalidades. Assistir às amarras e resistências dos mais experientes e às partilhas de sabedorias e visões: com 30 anos é-se velho para o mercado de trabalho, mas assiste-se a ofertas de emprego onde se exige anos de experiência profissional aliada à flor dos 20 anos de idade. A recorrência com que se assiste defender que para determinadas funções, nomeadamente, de cariz público a pessoa é considerada inexperiente mesmo com 40 anos de idade apesar de ter exercido actividades durante 15 ou 20 anos de serviço em áreas afins e de ter acumulado experiência no sector, faz-me pensar que País é este!
Nos países mais desenvolvidos como os Estados Unidos procuram-se os advogados mais jovens e ambiciosos, procuram-se os arquitectos, os engenheiros mais jovens com novas tendências e visões de futuro para projectar as cidades, mas em Portugal continua o pensamento do "velho do restelo" e apregoa-se que o advogado tem que ser velho, o arquitecto tem que ter já muita idade e ter projectado muito e o engenheiro tem que ser muito experiente. Ora, o resultado está a vista: um País pequeno com um pensamento ainda mais pequeno e uma dívida enorme.
Para que conste, a idade pode até ser um posto mas por certo que deveria ser antes um farol para quem quer aprender o pudesse seguir.
Desenganem-se aqueles que julgam que a idade não passa por todos e lembro ainda que o "Homem" como animal social que é, se esquece facilmente que a idade passa mas que o pensamento pode e deve acompanhar a evolução da sociedade.
Bem hajam aqueles que para além de verem nos jovens a esperança, não ficam pelas palavras e os apoiam, porque assim estão por certo a contribuir decisivamente para o desenvolvimento do País.
Hugo Oliveira
Vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha,
Director do Gabinete de Estudos e Edições do Instituto Fontes Pereira de Melo
quarta-feira, 25 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
in diario de Leiria, 18 de Julho de 2012
As 7 e mais 7 que com mais 7 são 21 maravilhas...
Foi com especial atenção que Portugal e arrisco-me a dizer grande parte do mundo, seguiu aquela que foi a eleição das 7 maravilhas do mundo. Um trabalho que certamente envolveu muita gente e meios, participaram muitos milhões de pessoas através do seu voto e que culminou com um grandioso espectáculo.
Em minha opinião procurou-se essencialmente a divulgação dos Países, do seu património, na busca da sua promoção como destino turístico. Até aqui não estranho e congratulo a aposta. Temos que apontar a força e importância da economia de um País e não ficarmos embevecidos com conceitos de património da Humanidade, do Mundo, da Nação.
Sou atento ao sector do turismo quer por exigência profissional, quer por ter um especial gosto por viajar e sempre que ultrapasso as nossas fronteiras procuro absorver o que de melhor se faz lá fora e adaptar na medida do possível à nossa realidade, preservando a diferença.
Na eleição das 7 maravilhas do mundo, toda uma nação trabalhou para ver reconhecida a maravilha que se encontrava nos seu País, e consequentemente, várias regiões do território sentiram o impacto desta promoção, por exemplo, quem viaja até à India levado pela curiosidade de ver e sentir a impetuosidade do Taj Mahal em Agra, por certo que não deixa de ir a Delhi ou Jaipur. Ora é este o efeito pretendido quando um País tem politicas de turismo e faz uma aposta séria na divulgação do seu País através de concursos deste tipo.
Mas sejamos pragmáticos. Em Portugal uma empresa de Oeiras apostou em adaptar este fenómeno de tudo querer ser uma maravilha, e lançar as 7 maravilhas- praias de Portugal; as 7 maravilhas naturais de Portugal; as 7 maravilhas da gastronomia portuguesa. Enfim... estou certo que a oferta é diversa e escolha muito difícil dada a riqueza do nosso património. Mas vejamos, todas estas iniciativas têm o apoio da Presidência da Republica e do Governo de Portugal. Ao contrário do que defendi acontecer com as 7 maravilhas do mundo, não creio que aconteça com esta realidade. Nestes últimos casos, são as Autarquias que numa tentativa de impulsionar o turismo no seu Concelho, não olham a custos e concorrem, e querem ser e aparecer. Acontece que os tempos não estão fáceis... parece-me que há formas mais económicas e de impacto positivo, para se promover uma região. Será que algum apreciador de gastronomia, por mais fanático que seja, desloca-se algumas milhas para saborear uma patanisca, de qualidade irrepreensível que seja? E quanto já foi gasto por isso?
Hugo Oliveira
Vereador da Câmara Municipal das Caldas da Rainha,
Director do Gabinete de Estudos e Edições do Instituto Fontes Pereira de Melo
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