quinta-feira, 9 de julho de 2015

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Os Santos Populares

Falar dos Santos populares em Portugal é falar de Santo António, São João e São Pedro. De facto é nas duas maiores cidades Lisboa e Porto onde os Santos são os verdadeiros “reis” da festa, no entanto por todo o País se replicam festas dos santos populares tal como acontece no Bairro dos Anjos em Leiria. São milhares de pessoas em todo o País, em todos o recantos, que anualmente oferecem do seu tempo para preparar as vestes, as coreografias e as festas. O mês de junho é o mês de Portugal, temos o 10 de Junho e temos o País em festa popular. As caracteristicas de cada aldeia, vila ou cidade dão um colorido diverso mas também formas diferentes de viver os santos. Se em Lisboa tal como em outros locais os bairros assumem um papel de representação com as suas animadas marchas tendo no manjerico o símbolo da festa, já mais a norte no Porto entre outros locais com o mesmo espirito bairrista aparecem os martelinhos e o alho porro e a mesma festa pelas ruas. O povo sai à rua, o povo diverte-se e nestas noites opta, e bem, por se abstrair da “vida” para sentir o espirito dos Santos Populares. Cada Santo ocupa um lugar na história na interpretação e na medida da crença de cada um, e até a reivindicação como sendo o seu Santo é uma prerrogativa de muitas aldeias, vilas ou cidades. Em Leiria podia até falar de Santo Agostinho, mas para falar do distrito prefiro falar daqueles que devem ser os santos dos dias de hoje, os “Santos do Distrito”. Diariamente no nosso distrito milhares de pessoas trabalham em auxilio de outros tantos em instituições que assumem um papel crucial na nossa sociedade, as IPSS. As Instituições Particulares de Solidariedade Social, aliadas a tantas outras associações de apoio social ocupam hoje um lugar na nossa história moderna como o garante do equilíbrio social numa sociedade tão descaracterizada. É por este motivo que me atrevo hoje a eleger como os “Santos de Distrito” todos aqueles que de uma forma ou de outra dão o seu contributo para esta “vaga” permanente de solidariedade. Viva os Santos populares e viva os “Santos do Distrito” in diário de Leiria, 26 de Junho de 2015 O Secretário Geral da CNAF - Confederação Nacional das Associações de Família Hugo Oliveira

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Lusofonia: Uma prioridade

Quando os Portugueses partiram à descoberta do Mundo tinham apenas uma certeza a convicção de que iriam encontrar algo que vislumbravam no horizonte que trazia isso sim uma quantidade abesbilica de dificuldades e maravilhas até então nunca vistas. Mais de quinhentos anos volvidos e com todas as transformações socio-economicas sentidas impõe-se a necessidade de repensar a forma de estreitar as ligações entre os povos lusófonos. De facto, factores economicos, pese a sua indiscutível importância não podem ser a única razão e fundamento na escolha de políticas de desenvolvimento. É primordial manter as tradições e costumes que nos distinguem enquanto sociedades. É esta diferença que nos une e nos leva à egrégora aumentando o espaço lusofono. O espaço lusófono é assim um terreno fértil para recentrar a política Portuguesa num ponto geoestratégico de desenvolvimento mundial liderando todo o espaço de uma forma integrada. Assim, a lusofonia deve ser entendida como uma prioridade que permita a todos os Países de língua oficial de expressão portuguesa concentrarem-se uma plataforma clara e objectiva com resultados nas economias dos mesmos. A educação é e deve ser a alavanca deste desenvolvimento, os Portugueses ao longo dos séculos sempre demonstraram ter a capacidade de assumir a responsabilidade de articular as energias necessárias para o ensino. É primordial que que os nossos jovens não percam a noção do que nos une a estes países, pelo que deve ser criado espaço no nosso sistema educativo, tal como acontece com a cidadania, ao ensinamento dos laços que nos unem na lusofonia. Entendo que há assim uma janela da oportunidade onde é essencial apostar na transmissão de conhecimentos da história e dos sentimentos e afectos que ligam os países lusófonos. A Lusofonia é o espaço e o tempo é agora. O Secretário Geral da CNAF - Confederação Nacional das Associações de Família Hugo Oliveira in Diário de Leiria,12 de Junho de 2015

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Uma crise de Valores

Fala-se muito de crise em Portugal, mas essencialmente da crise económica, mas na minha opinião estamos numa crise bem maior a dos valores da sociedade.
Se por um lado a sociedade evoluiu muito nos últimos anos, também é correcto afirmar que em algumas matérias estamos claramente a regredir.
A recente tragédia de Salvaterra de Magos onde um jovem de dezassete anos assassinou um outro jovem de catorze anos, ou as agressões ocorridas numa escola na Figueira da Foz são casos de violência inexplicáveis na sociedade portuguesa que espelham essa regressão.
O bulling é uma realidade assustadora que nos assola e que deixa a sociedade aparentemente sem capacidade de reacção.  
A violência doméstica, outra regressão, tem aumentado de forma assustadora como se fosse algo normal do quotidiano.
Estes são apenas exemplos e preocupantes do alarme social sobre verdadeira crise de valores.
Se o conceito da família se desmorona, é um sinal que a própria sociedade se está a desmoronar, e resta perguntar qual o caminho que seguimos e o que iremos ser no futuro enquanto parte integrante da mesma.
As famílias desestruturadas geram indivíduos desequilibrados, o próprio conceito de família mudou e as famílias acusam já esse desequilíbrio social.
É no seio da família que se absorvem conceitos e valores fundamentais para a construção da personalidade de cada indivíduo e que condicionam a conduta futura dos mesmos. Ora não é possível praticar o que não foi possível assimilar. 
Em consequência estamos a descaracterizar as gerações futuras que ficam sem rumo por falta de um farol que as guie. Este é para mim um problema latente que abre uma ferida na sociedade. Sociedade esta que não sabe ainda como “lamber” as suas feridas. 
Urge que possamos reflectir sobre estas matérias por forma a limar ou mesmo de uma forma assertiva tocar na “ferida” para que a sociedade perceba qual o caminho que está a seguir.  

O Secretário Geral da CNAF - Confederação Nacional das Associações de Família
Hugo Oliveira

in Diário de Leiria, 29/05/2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A importância de falar de Natalidade


Se Lucien Febvre e Marc Bloch no sec. XIX diziam que embora com tudo o que têm de mal as epidemias, a guerra, e as catástrofes permitiam que coubéssemos na Terra.

Hoje podemos afirmar que em Portugal e a continuar assim com uma descida tão drástica da natalidade, em poucos anos seremos cerca de 6 milhões.

Ora, urge pensar a nossa sociedade na sua base e criar condições para o aumento da natalidade.

O governo teve a coragem de colocar a temática na agenda política. Mas ainda assim é insuficiente, é um primeiro passo mas não podemos ficar por aqui.

Se questionarmos os nossos jovens sobre as razões para não terem filhos na maioria dos casos rapidamente temos a resposta, restrições financeiras. Restrições estas que se prendem com a vontade dos pais de darem as melhores condições de vida aos seus filhos.

Assim o maior incentivo que pode existir à natalidade é a estabilidade financeira de uma família. Estabilidade essa que só será garantida com emprego dos membros do agregado familiar. 

Quero com isto dizer que uma política de incentivo ao emprego é por certo a maior alavanca à natalidade.

Naturalmente que um pacote legislativo como o apresentado com medidas concretas de incentivo em diversas áreas, é visto como um passo seguro para uma abordagem séria ao problema.

Senão vejamos: 

A possibilidade de os trabalhadores da função pública com filhos ou netos menores de 12 anos poderem trabalhar apenas metade do dia e receberem 60% do ordenado.

O aumento das sanções para as empresas que despeçam grávidas de forma ilegal.

Um beneficio fiscal de 50% na compra de automóveis para as famílias que tenham mais de três filhos a cargo.

Uma reposição do quarto e quinto escalões do abono de família.

A alteração ao código de trabalho no sentido de pai e mãe poderem gozar em simultâneo a licença de parentalidade. E no sentido de dar ao pai mais cinco dias úteis de licença obrigatória, que passaria assim a usufruir de 15 dias, em vez dos atuais 10.

Tornar o acesso à educação pré-escolar universal para as crianças a partir dos quatro anos de idade (em vez dos atuais cinco), numa primeira fase, alargando depois para os três anos, numa fase posterior.

criação de uma comissão especializada permanente para acompanhamento das questões da natalidade no âmbito do Conselho Económico e Social.

A elaboração de um relatório anual sobre natalidade em sede de orçamento do Estado, criação de um portal da família, campanhas variadas de divulgação e incentivo à natalidade.

No entanto, reforço a importância da necessidade de um debate alargado, profundo e sério sobre a sociedade portuguesa e as suas preocupações no que concerne à problemática da natalidade por forma a apontar caminhos que permitam às famílias portuguesa reforçarem a sua coesão e garantir a sucessão.  

Portugal precisa desta reflexão estratégica e de ter na ordem do dia, e no pensamento politico dos governantes nas próximas décadas o objectivo de proporcionar às famílias um verdadeiro incentivo à natalidade.

 

O Secretário Geral da CNAF - Confederação Nacional das Associações de Família

Hugo Oliveira

 

, in diário de Leiria 13 de Maio de 2015