sexta-feira, 29 de maio de 2015

Uma crise de Valores

Fala-se muito de crise em Portugal, mas essencialmente da crise económica, mas na minha opinião estamos numa crise bem maior a dos valores da sociedade.
Se por um lado a sociedade evoluiu muito nos últimos anos, também é correcto afirmar que em algumas matérias estamos claramente a regredir.
A recente tragédia de Salvaterra de Magos onde um jovem de dezassete anos assassinou um outro jovem de catorze anos, ou as agressões ocorridas numa escola na Figueira da Foz são casos de violência inexplicáveis na sociedade portuguesa que espelham essa regressão.
O bulling é uma realidade assustadora que nos assola e que deixa a sociedade aparentemente sem capacidade de reacção.  
A violência doméstica, outra regressão, tem aumentado de forma assustadora como se fosse algo normal do quotidiano.
Estes são apenas exemplos e preocupantes do alarme social sobre verdadeira crise de valores.
Se o conceito da família se desmorona, é um sinal que a própria sociedade se está a desmoronar, e resta perguntar qual o caminho que seguimos e o que iremos ser no futuro enquanto parte integrante da mesma.
As famílias desestruturadas geram indivíduos desequilibrados, o próprio conceito de família mudou e as famílias acusam já esse desequilíbrio social.
É no seio da família que se absorvem conceitos e valores fundamentais para a construção da personalidade de cada indivíduo e que condicionam a conduta futura dos mesmos. Ora não é possível praticar o que não foi possível assimilar. 
Em consequência estamos a descaracterizar as gerações futuras que ficam sem rumo por falta de um farol que as guie. Este é para mim um problema latente que abre uma ferida na sociedade. Sociedade esta que não sabe ainda como “lamber” as suas feridas. 
Urge que possamos reflectir sobre estas matérias por forma a limar ou mesmo de uma forma assertiva tocar na “ferida” para que a sociedade perceba qual o caminho que está a seguir.  

O Secretário Geral da CNAF - Confederação Nacional das Associações de Família
Hugo Oliveira

in Diário de Leiria, 29/05/2015

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A importância de falar de Natalidade


Se Lucien Febvre e Marc Bloch no sec. XIX diziam que embora com tudo o que têm de mal as epidemias, a guerra, e as catástrofes permitiam que coubéssemos na Terra.

Hoje podemos afirmar que em Portugal e a continuar assim com uma descida tão drástica da natalidade, em poucos anos seremos cerca de 6 milhões.

Ora, urge pensar a nossa sociedade na sua base e criar condições para o aumento da natalidade.

O governo teve a coragem de colocar a temática na agenda política. Mas ainda assim é insuficiente, é um primeiro passo mas não podemos ficar por aqui.

Se questionarmos os nossos jovens sobre as razões para não terem filhos na maioria dos casos rapidamente temos a resposta, restrições financeiras. Restrições estas que se prendem com a vontade dos pais de darem as melhores condições de vida aos seus filhos.

Assim o maior incentivo que pode existir à natalidade é a estabilidade financeira de uma família. Estabilidade essa que só será garantida com emprego dos membros do agregado familiar. 

Quero com isto dizer que uma política de incentivo ao emprego é por certo a maior alavanca à natalidade.

Naturalmente que um pacote legislativo como o apresentado com medidas concretas de incentivo em diversas áreas, é visto como um passo seguro para uma abordagem séria ao problema.

Senão vejamos: 

A possibilidade de os trabalhadores da função pública com filhos ou netos menores de 12 anos poderem trabalhar apenas metade do dia e receberem 60% do ordenado.

O aumento das sanções para as empresas que despeçam grávidas de forma ilegal.

Um beneficio fiscal de 50% na compra de automóveis para as famílias que tenham mais de três filhos a cargo.

Uma reposição do quarto e quinto escalões do abono de família.

A alteração ao código de trabalho no sentido de pai e mãe poderem gozar em simultâneo a licença de parentalidade. E no sentido de dar ao pai mais cinco dias úteis de licença obrigatória, que passaria assim a usufruir de 15 dias, em vez dos atuais 10.

Tornar o acesso à educação pré-escolar universal para as crianças a partir dos quatro anos de idade (em vez dos atuais cinco), numa primeira fase, alargando depois para os três anos, numa fase posterior.

criação de uma comissão especializada permanente para acompanhamento das questões da natalidade no âmbito do Conselho Económico e Social.

A elaboração de um relatório anual sobre natalidade em sede de orçamento do Estado, criação de um portal da família, campanhas variadas de divulgação e incentivo à natalidade.

No entanto, reforço a importância da necessidade de um debate alargado, profundo e sério sobre a sociedade portuguesa e as suas preocupações no que concerne à problemática da natalidade por forma a apontar caminhos que permitam às famílias portuguesa reforçarem a sua coesão e garantir a sucessão.  

Portugal precisa desta reflexão estratégica e de ter na ordem do dia, e no pensamento politico dos governantes nas próximas décadas o objectivo de proporcionar às famílias um verdadeiro incentivo à natalidade.

 

O Secretário Geral da CNAF - Confederação Nacional das Associações de Família

Hugo Oliveira

 

, in diário de Leiria 13 de Maio de 2015